Portugal vence final internacional da competição de gestão

in Expresso: 9 de outubro de 2021

Legenda da Foto: A equipa portuguesa no momento em que recebeu o troféu de vencedora internacional da edição de 2020 do Global Management Challenge.

APRENDER A GERIR – O Global Management Challenge é organizado há mais de 40 anos pelo Expresso e a SDG. Nesta competição, cada equipa gere uma empresa, com o objetivo de obter o melhor desempenho do investimento para a sua empresa no mercado em que se insere. Teve a sua primeira edição em 1980 e um ano depois, em 1981, começou a sua internacionalização. Hoje são mais de 30 os países onde está presente.

Vitória nacional – Desde a edição de 1998 que uma equipa portuguesa não ficava em primeiro lugar no pódio do Global Management Challenge. Na Rússia, três jovens estudantes alcançaram essa posição.

A equipa portuguesa, formada por três jovens estudantes de Engenharia Mecânica e Gestão, venceu a final internacional da edição de 2020 do Global Management Challenge. Um feito que não acontecia há 22 anos, desde que uma equipa de quadros nacionais alcançou o primeiro lugar da edição de 1998.

A final internacional da edição de 2020 realizou-se no final de setembro, na cidade de Nizhny Novgorod, na Rússia. Este evento, que reúne os vencedores nacionais dos países onde a competição se desenrola, realiza-se sempre no ano seguinte à edição a que diz respeito. No território russo estiveram a competir equipas de 19 países (estavam previstas inicialmente 23), doze delas online e 11 de forma presencial. Como é habitual, a etapa internacional de cada edição da competição engloba uma semifinal onde os países são organizados aleatoriamente em grupos. Angola, Brasil, China, Macau, Peru e Tajiquistão estiveram no grupo azul, Austrália, República Checa, México, Colômbia, Senegal e Eslováquia no amarelo, Estónia, Índia, Quirguistão, Polónia e Rússia no verde e Bielorrússia, Equador, Itália, Panamá, Portugal e Espanha no vermelho.

Depois de um dia árduo de semifinal, realizada a 28 de setembro, em que cada equipa teve de efetuar cinco tomadas de decisão sobre os destinos da sua empresa, apenas duas equipas de cada grupo, as que obtiveram o melhor desempenho do investimento, transitaram para a finalíssima, no dia seguinte. Foi assim que Portugal, um dos países que passou para essa fase, acabou a enfrentar a Índia, Espanha, Rússia, República Checa, Eslováquia, Macau e China. Na finalíssima, as equipas tiveram novamente de efetuar cinco tomadas de decisão e a que obteve o melhor desempenho do investimento venceu.

ESTUDANTES NO 1º LUGAR

“Começámos a ouvir os resultados e pensávamos que iríamos ficar no top 3. Quando disseram Portugal como vencedor, não conseguíamos acreditar”, revelou Alexandre Amaro, chefe da equipa portuguesa, após o anúncio da vitória. Segundo este jovem, natural da Guarda, estudante de Engenharia Mecânica, o cenário que tiveram para trabalhar não é muito usual no Global Management Challenge, o que fez com que todas as equipas em prova estivessem em pé de igualdade, apesar de algumas somarem mais participações na competição, nos seus países e em finais internacionais, do que outras.

Como explicou no evento Alexandre Amaro, tanto na semifinal como na finalíssima tinham uma startup para liderar e o que variou de um dia para o outro foi o ambiente de mercado. A equipa nacional apostou em marketing, na distribuição e vendas para fazer crescer o seu negócio. “É interessante ver as diferentes estratégias de cada país, que são muito culturais. Há uns mais conservadores, outros que arriscam mais, e como este é um ambiente muito competitivo, acreditamos que desenvolveu ainda mais as nossas competências e a capacidade de decidir sob pressão”, referiu o chefe da equipa.

Alberto Carvalho, da equipa portuguesa, também natural da Guarda, mas estudante da área de Gestão, afirmou, na Rússia, que esta vitória “demonstra as nossas capacidades de gestão, com um elemento que é de engenharia mas que também ele tem muito boas capacidades de gestão”. Para os três jovens, de 21 anos, a mistura entre estas duas áreas foi determinante para atingir este resultado. Beatriz Silva, o terceiro elemento da equipa nacional, estudante de Gestão, de Barcelos, defendeu no evento que, “considerando que Portugal é um país com baixa profissionalização de gestão, isto pode ser um início para mostrar que os nossos gestores são válidos, e pode abrir muitas portas”. Acrescentou ainda que esta é uma competição que “prepara os jovens para o mercado de trabalho”.

Para os portugueses, a final internacio­nal foi um momento de aprendizagem. Aprenderam a trabalhar ainda mais sob pressão, conheceram outras culturas e estratégias, estabeleceram relações com estudantes e quadros. Um cenário que os atirou “para fora da zona de conforto”, afirmaram.

FINAL ONLINE E PRESENCIAL

E se para Alexandre Amaro, Beatriz Silva e Alberto Carvalho vencer foi algo em que não acreditavam, Jorge Bravo, diretor de Operações e membro do comité executivo da IT Sector, empresa que apoiou a participação desta equipa na edição portuguesa, a vitória era uma certeza. Num encontro antes da ida da equipa para a Rússia afirmou: “Vai ganhar, só pode ganhar.” E acertou.

“Foi uma vitória espetacular. Na edição de 2018 tivemos uma equipa em segundo lugar e agora, na de 2020, ficámos em primeiro”, referiu João Matoso Henriques, CEO da SDG. Na sua opinião, o resultado alcançado dá ainda mais vigor à competição em Portugal, já que demonstra que não são sempre as equipas de países como Macau, China ou Rússia a vencer. “Vamos projetar estes vencedores e aproveitar a comunicação que isso nos proporciona para motivar outros participantes, que assim percebam que é possível ganhar internacionalmente”, intensificou.

A equipa da China ficou em segundo na tabela classificativa e a terceira posição foi para a da Índia. A equipa anfitriã ficou em quinto lugar.

Esta final foi atípica, já que, devido às limitações impostas pela covid-19, nove equipas estiveram a competir online e 11 presencialmente. “Face a esta necessidade, todos os procedimentos tiveram de ser revistos. Mas decorreu sem incidentes”, realçou João Matoso Henriques.

Depois de Portugal, e em segundo lugar, ficou a equipa da China, formada por estudantes, que competiu online. A terceira posição coube à Índia, com quadros. No dia da semifinal, Prakash Sahu, líder dos indianos, considerava que eram os mais fortes e iriam continuar em prova. No dia da finalíssima colocava já a hipótese de, para além da sua equipa, a portuguesa ser a principal candidata ao primeiro lugar. Para ele, iniciativas como esta dão “experiência de gestão e desenvolvem a capacidade de liderança”. A quarta posição coube a Espanha, também representada por estudantes. Enrique Rodríguez, membro da equipa, salientou que neste desafio “temos a oportunidade de colocar em prática o que aprendemos na universidade”.

A Rússia, anfitriã, ficou na quinta posição. O seu líder, Alexey Chuvaev, dizia não sentir a pressão para vencer em casa. Afirmou que neste desafio “aprende-se a analisar informação e a perceber como os diferentes departamentos trabalham em conjunto”. Macau, país vencedor da final internacional da edição de 2019, ficou na sexta posição, com uma equipa de estudantes. O sétimo lugar foi para a República Checa, com uma equipa mista, e a oitava posição coube à Eslováquia, representada por estudantes. Estes três países competiram online.

Jornalista/Expresso: Maribela Freitas
Foto: D.R.

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