Primeira experiência na área da gestão

in Expresso, 11 de julho de 2020

Legenda da Foto: Carlos Vieira e mais quatro amigos participaram na edição de 1994 da competição

A competição mostra aos universitários a realidade das empresas e o que os espera na sua vida profissional.

Cinco amigos, na altura estudantes de gestão e administração de empresas na Universidade Católica (UCP), em Lisboa, participaram nos anos 90 no então chamado Gestão Global. Dessa experiência recordam o trabalho de equipa, o stresse que implicava ter de decidir e como a prova simulava a vida real.

Carlos Vieira, Miguel Cabaça, Miguel Garcia, Patrícia Vieira e Cristiana Rodrigues integraram em equipa a edição de 1994 da competição. “Recordo que começou a correr muito bem e ficámos entusiasmados, mas depois não atingimos um bom lugar. Esta experiência serviu para termos uma primeira perceção de uma realidade mais prática e que as nossas ações e decisões influenciam a realidade, mas a concorrência é intensa e não dependemos só de nós”, recorda Carlos Vieira, atualmente professor universitário no Instituto Superior de Gestão (ISG). Na altura, a sua equipa era formada por amigos, o que levou, afirma, “a processos dinâmicos de decisão a um nível por vezes mais complexo”.

Na perspetiva de Carlos Vieira, na prova, “os estudantes mais jovens e sem experiência laboral podem ter um primeiro impacto com um modelo que simula a realidade empresarial, no processo de tomada de decisão e na necessidade de se criarem modelos analíticos de suporte a essa decisão”.

Gerir com amigos

Já para Miguel Cabaça, managing director na Arval UK, do Grupo BNP Paribas, “o trabalho e a cooperação em equipa para tomar decisões sob algum stresse e a possibilidade de ver os resultados práticos dessas decisões dão muito mais con­teúdo do que um estudante pode aprender nas aulas. Inversamente, um quadro pode ver na competição uma forma de voltar a aprender e regressar ao ambiente académico, algo que por vezes se torna secundário na rotina do dia a dia.” Salienta que, apesar de o resultado obtido pela sua equipa na prova não ter sido o melhor, “valeu como primeira experiência de gestão, onde conseguíamos ver os efeitos das decisões, bem como o impacto de outros fatores, como o mercado e os concorrentes. Também nos divertimos bastante, o que deixa boas recordações. Todos estes elementos acabam por ser semelhantes ao que depois encontramos na vida profissional”.

Na prova, as equipas decidem em áreas como o marketing e finanças e observam o resultado das suas decisões.

O diretor de marketing estratégico da Sumol+Compal, Miguel Garcia, conta que, na altura, o Global Management Challenge “mexia com o nosso espírito competitivo, sempre importante para este tipo de desafio. Era igualmente uma atividade de grupo, que nos permitia gerir uma empresa com os nossos melhores amigos. Permitiu-nos pela primeira vez relacionar um conjunto muito alargado de variáveis e conceitos de gestão que até aí tinham estado segmentados em disciplinas especializadas. Agora era gestão a sério, de forma transversal e global”. Acrescenta que mostrou também que, dos livros e da teoria para a prática, os graus de incerteza, imprevisibilidade e correlação de fatores tornam os resultados bastante mais difíceis de prever.

Nas suas memórias guarda as tentativas do grupo de cons­truir simuladores complexos para tentar modelizar os resultados e de discussões muito acaloradas sobre aumentar ou não os ordenados aos colaboradores da empresa. “Tivemos sucessos e insucessos, com efeitos engraçados na dinâmica do grupo que os tentava analisar e garantir o consenso de diagnóstico necessário para poder evoluir nos planos para o futuro. O que na realidade é muito próximo do que se passa num contexto real. Deu-nos também um sentido de responsabilidade real, mesmo tratando-se de um simulador, porque os resultados eram publicados e conhecidos por todos, o que alimentava a competitividade entre todos aqueles futuros gestores da UCP.” Para Miguel Garcia, foi “um momento marcante na transição do ensino para a vida profissional”.

Desenvolver competências

Patrícia Vieira, diretora financeira da AECOM — Europa Continental, acredita que “o Global Management Challenge permite aprender, praticar conhecimentos, competir, cooperar, trabalhar em equipa e também passar momentos muito divertidos. Todas essas áreas contribuíram seguramente para que desenvolvesse de forma mais completa tanto as minhas competências profissionais como interpessoais, fundamentais na vida laboral”. Na altura, recorda, poder participar numa experiencia de gestão de empresas, onde se podiam aplicar muitos dos conhecimentos obtidos e ao mesmo tempo atuar em equipa e simular o que esperavam vir a ser um espelho de situações reais do seu futuro profissional, foi estimulante.

Do que viveram na competição, Cristiana Rodrigues, responsável da área de organização do Banco Best, relembra que o entusiasmo inicial foi grande, mas face aos resultados esmoreceu e até tiveram uma greve. “Era um jogo de gestão, nós éramos estudantes de gestão, pelo que fez todo o sentido participar”, revela. Acredita que este é um desafio “com várias variáveis, que pretende ser representativo da realidade de uma empresa. É importante dividir tarefas e a análise dos dados entre os participantes, pois se todos tentarem analisar toda a informação disponível acabam por se perder. E, acima de tudo, é importante que se divirtam”.

POUCAS MUDANÇAS

Falta apenas mais uma decisão para o final da primeira edição da primeira volta do Global Management Challenge 2020. Esta semana, com a tomada da quarta decisão, verificaram-se mudanças na liderança de nove grupos, nomeadamente o 1, 8, 9, 10, 11, 16, 21, 27 e 28. Os restantes 23 continuam com a mesma equipa na sua chefia. Na próxima semana, quem estiver no topo do seu grupo passa à segunda volta, agendada para o final do ano. Atualmente, a EDP é a entidade mais representada no topo de grupos, com um total de sete chefias. Segue-se-lhe a CGD e a IT Sector, com quatro lideranças cada. Já a Fidelidade está representada na liderança de três grupos e a Fujitsu, Caisdavilla e ISEG têm duas chefias cada.

Consulte os resultados da 4ª decisão: (clique aqui)

Jornalista/Expresso: Maribela Freitas
Fotógrafo/Expresso: Tiago Miranda

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